quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

#5

Quando olho para o passado aquela noite tem  mesmo tom amarelado dos seus olhos dourados, carinhosos. Dançava, o ambiente que para muitos podia ser sufocante para mim era natural, a música entranhava-se no meu corpo, tocava-me na pele, acariciava-me a alma. Uma mão no meu ombro, cabelos de corvo, um sorriso, se meu ou dele pouco interessa, o hálito era o mesmo que recordava, quanto tempo se passara? Dias ou semanas. Naquela noite o seu olhar estrelado cativou-me e não lhe falei com desprezo mas com a timidez de menina que no fundo era, num «Olá», que saiu desajeitado, agudo. Retribui-me «Olá» com a satisfação e o carisma tão próprios da sua pessoa, dançamos, falamos e ficou por ali. Nem contactos trocados nem promessas de futuros. Ficou por ali, mas o destino dá muitas voltas.

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